Poluição mata mais do que guerra, alerta ONU

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Com esta manchete, já em 2016 a Organização para as Nações Unidas – ONU, já alertava para a questão da poluição do ar, da água e da terra pelos países industrializados, que afeta o nosso planeta tão ou até mais do que as derrubadas das árvores da Amazônia. 

Recentemente, o vice-ministro de Ecologia e Meio Ambiente da China, Zhao Yingmin, e Joyce Msuya, diretora-executiva interina da ONU Meio Ambiente, anunciaram que o país sediará as comemorações do Dia Mundial do Meio Ambiente, em 5 de junho de 2019, com o tema “poluição do ar”.

Aproximadamente 7 milhões de pessoas morrem prematuramente a cada ano devido à poluição do ar, sendo 4 milhões das mortes somente na região da Ásia e do Pacífico. O Dia Mundial do Meio Ambiente deste ano incitará governos, indústria, comunidades e indivíduos a se unirem para explorar a energia renovável e as tecnologias verdes, bem como melhorar a qualidade do ar em cidades e regiões de todo o mundo.

A cidade sede do evento será Hangzhou, na província de Zhejiang. Porém, o governo chinês também se comprometeu a organizar as celebrações em várias partes do país.

O anúncio foi feito enquanto ministros do Meio Ambiente de todo o mundo participam do fórum ambiental global de mais alto nível, a Quarta Assembleia da ONU para o Meio Ambiente (UNEA), em Nairóbi, e após a publicação de um relatório de revisão sobre o controle da poluição do ar em Pequim nos últimos 20 anos.

“A China será uma grande anfitriã global das comemorações do Dia Mundial do Meio Ambiente em 2019. O país demonstrou liderança no combate à poluição do ar internamente e, agora, pode ajudar a estimular outras partes do mundo a agirem. A poluição do ar é um desafio global e urgente que afeta a todos. A China irá, agora, liderar o impulso e estimular a ação global para salvar milhões de vidas”, declarou Joyce Msuya.

O país asiático, com seu crescente setor de energias verdes, emergiu como um líder climático. Metade dos veículos elétricos e 99% dos ônibus elétricos do mundo circulam dentro de suas fronteiras. Ao sediar o Dia Mundial do Meio Ambiente em 2019, o governo chinês poderá mostrar sua inovação e avançar rumo a um ambiente mais limpo.

Segundo um novo relatório da ONU sobre poluição atmosférica na Ásia e no Pacífico, a implementação de 25 políticas voltadas para tecnologias poderia resultar na redução de 20% das emissões globais de dióxido de carbono (CO2) e de 45% das emissões globais de metano, o que poderia impedir a elevação da temperatura global em até um terço de grau Celsius.

O Dia Mundial do Meio Ambiente é um evento mundial liderado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente que acontece todos os anos, no dia 5 de junho, e é comemorado por milhares de comunidades em todo o mundo. Desde que foi instaurado, em 1972, se tornou a maior celebração do nosso meio ambiente.

Segundo a ONU Meio Ambiente, 92% das pessoas em todo o mundo não respiram ar limpo; a poluição do ar custa à economia global 5 trilhões de dólares por ano; a poluição do solo pelo ozônio deverá reduzir os rendimentos de cultivos básicos em 26% até 2030.

Mas a poluição do ar não é a única preocupação da ONU, em recente  relatório a organização pede ação urgente para enfrentar poluição por substâncias químicas. 

A maioria dos países não cumprirão já em 2019 a meta internacionalmente acordada de minimizar os impactos adversos de substâncias químicas e resíduos até 2020, o que significa que uma ação urgente é necessária para reduzir mais danos à saúde humana e às economias, segundo um relatório da ONU lançado no dia 11 de março de 2019.

O segundo Panorama Global de Substâncias Químicas, apresentado durante a Assembleia da ONU para o Meio Ambiente, em Nairóbi, revela que a atual capacidade de produção de químicos, de 2,3 bilhões de toneladas, deve dobrar até 2030. O atual volume de químicos tem valor anual de 5 trilhões de dólares.

Apesar de compromissos para maximizar benefícios e minimizar os impactos dessa indústria, os químicos perigosos continuam a ser liberados no meio ambiente em grandes quantidades. Eles são onipresentes no ar, na água e no solo, na comida e nos seres humanos. O mundo precisa aproveitar as várias soluções que já existem e são ressaltadas no relatório.

“Se o crescimento com (o setor de) químicos vai ter saldo líquido positivo ou negativo para a humanidade, isso depende de como gerimos o desafio dos químicos”, afirmou Joyce Msuya, diretora-executiva interina da ONU Meio Ambiente. “O que está claro é que temos que fazer muito mais, juntos.”

O relatório mostra que, embora tratados internacionais e instrumentos voluntários tenham reduzido os riscos de alguns químicos e resíduos, o progresso foi desigual e lacunas na implementação perduram. Por exemplo, em 2018, mais de 120 países não haviam implementado o Sistema Globalmente Harmonizado de Classificação e Rotulagem de Químicos.

Em 2016, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estimou em 1,6 milhão de mortes o impacto de doenças associadas a determinadas substâncias químicas, o que é provavelmente uma estimativa abaixo da realidade. A poluição química também ameaça um leque de serviços ecossistêmicos.

Inversamente, os benefícios da ação para minimizar os impactos adversos foram estimados na casa das dezenas de bilhões de dólares por ano.

“Os achados do segundo Panorama Global de Substâncias Químicas são muito importantes para países em desenvolvimento”, afirmou David Kapindula, um dos membros do comitê diretivo do relatório, que trabalha na Agência de Gestão Ambiental da Zâmbia.

“Eles destacam a implementação desigual da gestão de químicos e resíduos e apontam para oportunidades de um compartilhamento aprimorado de conhecimento, desenvolvimento de capacidades e financiamento inovador.”

Dos fármacos à proteção das plantas, as substâncias químicas desempenham um papel importante na sociedade moderna e no cumprimento das metas da Agenda 2030 da ONU para o Desenvolvimento Sustentável.

Impulsionado pelo desenvolvimento econômico, dinâmicas populacionais e megatendências globais, o mercado de químicos em diferentes setores industriais está crescendo.

Por exemplo, espera-se que o mercado de químicos no setor de construção cresça a 6,2% por ano entre 2018 e 2023.

Ao mesmo tempo, a produção e o consumo de químicos estão mudando em economias emergentes, em particular na China. Estima-se que a região da Ásia-Pacífico responderá por mais de dois terços das vendas globais até 2030. O e-commerce transfronteiriço está crescendo 25% anualmente.

Já se descobriu que os pesticidas impactam negativamente os polinizadores, que o uso em excesso de fósforo e nitrogênio na agricultura continua a contribuir para criar zonas mortas nos oceanos e que os químicos usados nos protetores solares colocam pressão sobre os ecossistemas de recifes de corais. Estudos também indicam que a liberação de algumas substâncias antimicrobianas, metais pesados e desinfetantes contribuem para a resistência antimicrobiana.

Mas existem soluções. O Panorama Global de Substâncias Químicas II mostra que governos estão tomando medidas regulatórias para muitos químicos. Empresas líderes estão elevando seus padrões, para além de práticas de compliance e de gestão sustentável das cadeias de suprimentos. Consumidores têm impulsionado a demanda por produtos e métodos de produção mais seguros.

A indústria e empreendedores estão desenvolvendo inovações sustentáveis e verdes na química. Cientistas têm preenchido as lacunas de dados e as universidades reformado o modo como a química é ensinada. Abordagens de gestão – da avaliação de perigo dos químicos à gestão de risco e análises de ciclo de vida – estão avançando.

Existem oportunidades para que os principais influenciadores, como investidores, produtores, varejistas, acadêmicos e ministros, ampliem essas iniciativas. Isso não apenas protegeria a saúde humana e o meio ambiente, mas também traria benefícios econômicos na casa das dezenas de bilhões de dólares por ano.

O desenvolvimento de uma futura plataforma global para a gestão responsável de químicos e resíduos para depois de 2020 oferece uma janela de entrada. Como ressalta o relatório, esse quadro precisa reunir todos os setores relevantes e partes interessadas e fomentar ações colaborativas e ambiciosas.

Dado o papel crítico da gestão responsável de químicos e resíduos na suspensão da perda de biodiversidade, na facilitação do acesso à energia limpa e no alcance de outras metas e Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, existe uma conjuntura positiva para criar sinergias entre essa e outras agendas de política internacional.

Fonte:
https://nacoesunidas.org

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