Mostra de Trabalhos Pedagógicos de Professores Indígenas socializa as experiências pedagógicas

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Prefeitura de Manaus realizou nos dias 3 e 4 de outubro, a 12ª Mostra de Trabalhos Pedagógicos de Professores Indígenas do Município de Manaus. O objetivo é socializar as experiências pedagógicas desenvolvidas pelos educadores ao longo do ano e avaliar o trabalho da Secretaria Municipal de Educação (Semed) junto às comunidades indígenas. Nos dois dias, o encontro ocorreu na comunidade Yamuatiti Anama, no rio Cuieras, no Centro Municipal de Educação Escolar Indígena (Cmeei) Kurasí Werá.

A mostra é realizada todos os anos e em 2019 foram apresentados 20 projetos, com a participação de 29 professores que atuam nas quatro escolas indígenas de Manaus e nos 17 Cmeeis. Ao todo, a Semed atende a estudantes de 34 etnias, que abrangem sete idiomas tradicionais.

A subsecretária de Gestão Educacional, Euzeni Araújo, apontou que o momento é importante por apresentar os conhecimentos trabalhados nas escolas e nos Cmeeis e realizar uma troca de conhecimento, apresentando o trabalho desenvolvido na administração do prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto.

“Este é um momento de partilha e de saberes, algo importantíssimo para o ensino diferenciado que a Prefeitura de Manaus trabalha na educação escolar indígena, neste resgate da língua, da cultura e na valorização de todo processo. Aqui a gente aprende, ensina e troca conhecimento com os povos tradicionais”, pontuou.

A escolha da comunidade para sediar o encontro se deu por conta da maior identificação que os povos têm com o habitat onde está situado a aldeia e o Cmeei. “Esta localidade é a representação da vivência cotidiana deles. A vantagem é que eles partilham as experiências até mesmo em conversas informais. Para eles, a educação e a vida são dois elementos da mesma realidade. É a pedagogia da própria vida. Cada aldeia representa um aspecto da própria vivência”, explicou a gerente de Educação Escolar Indígena, Glademir Santos.

Esta é uma das maneiras de valorizar o trabalho realizado pelos professores da educação escolar indígena que além de ensinar saberes da cultura tradicional, realizam projetos no intuito de fixar esse conhecimento, como é o caso da professora Jéssica Batista, da Cmeei Marini Arurã Apurinã, que trabalhou com seus alunos as narrativas mitológicas do povo apurinã.

Ao notar que os saberes tradicionais, como as histórias do seu povo não eram conhecidos por grande parte da sua comunidade, ela desenvolveu esse projeto. “Então poderíamos explorar esse tema com várias possibilidades como a cosmologia, escrita e oralidade”, contou.

Uma das ferramentas que ela utilizou foi o teatro, que a princípio causou espanto nos alunos. “Primeiramente foi impactante, porque eles tiveram que montar uma peça e todos tiveram que se envolver. Ela ajudou os alunos a falar mais e melhor, conseguir formular frases”, acrescentou.

Para o líder da comunidade, Yamuatiti Anama, poder sediar o encontro foi importante porque é uma forma de valorização da própria cultura e dos outros povos presentes. “Pensar que os Cmeeis precisam de eventos como este para poder se destacar, mostrar que somos capazes. O resultado foi muito bom, a troca de conhecimentos foi maior porque está no nosso habitat e fica mais à vontade. Eu acredito que essa foi a intenção deste ano, que veremos o reflexo no ano que vem”.

Ao final das apresentações, foi votada a sede do próximo encontro, em 2020, e a aldeia Inhaã-bé, que tem o trabalho do Cmeei Kuiá, foi a escolhida.

Texto – Alexandre Abreu / Semed
Fotos – Eliton Santos / Semed

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