Megan Rapinoe: a estrela da Copa do Mundo que desafiou Donald Trump

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Com informações do LANCE – Fernanda Teixeira* – Seattle (EUA)

Capitã da seleção dos Estados Unidos chamou a atenção de todo o mundo, durante o  Mundial da França, pelo desempenho nos gramados e atritos com o presidente americano

Foto: AFP

A americana Megan Rapinoe foi a grande protagonista da Copa do Mundo feminina da França. Logo após a conquista do tetracampeonato pelos Estados Unidos, no último domingo, em Lyon, com vitória por 2 a 0 sobre a Holanda, foi eleita a melhor jogadora do torneio. Além das boas atuações, terminou a competição como artilheira, junto com a companheira de equipe Alex Morgan e Ellen White, da Inglaterra, com seis gols. 

O impressionante desempenho da capitã americana dentro de campo e o estilo irreverente marcado pelo cabelo rosa, entretanto, não foram os únicos fatores a chamarem a atenção do mundo inteiro para a jogadora de 34 anos. Fora dos gramados, Rapinoe tornou-se voz ativa nas reivindicações por igualdade no esporte e na defesa da comunidade LGBT, com posições bem marcadas e personalidade forte. A atacante também trocou farpas em público com ninguém menos que o presidente norte-americano Donald Trump, ao declarar que não iria à Casa Branca, em caso de conquista do título. 

Carreira

Nascida em Redding, no estado da Califórnia, Megan Rapinoe tem cinco irmãos, incluindo a uma irmã gêmea não idêntica, Rachel. Atualmente capitã do time do Reing FC, em Seattle, ela deu os primeiros toques na bola no Elk Grove Pride, uma equipe da segunda divisão do futebol feminino americano entre 2002 e 2005, ainda adolescente. Foi estudar na Universidade de Portland e recebeu bolsa para atuar no time universitário do Portland Pilots, no qual ficou até 2008. 

No profissional, fez sua primeira temporada na Women’s Professional Soccer (WPS), divisão de elite do futebol feminino dos Estados Unidos, em 2009, pelo Chicago Red Stars. Com o fim das atividades do clube, no ano seguinte, assinou com o Philadelphia Independence. Em 2011, transferiu-se para a Austrália para atuar no Sydney FC por uma temporada. Retornou ao país natal no ano seguinte, para jogar pelo Seattle Sounders Women. Antes de se transferir para seu atual clube, o Seattle Reign FC, em 2013, atuou por seis meses na França, pelo Lyon. 

Pela seleção americana, Rapinoe atuou no Sub-19 entre 2002 e 2006, quando estreou na equipe principal, no dia 23 de julho daquele ano, em um amistoso contra a Irlanda. Em razão de uma lesão, ficou fora da Copa do Mundo de 2007 e dos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008. Desde o retorno, entretanto, teve uma trajetória vitoriosa com o vice-campeonato da Copa do Mundo de 2011 e os títulos nas edições de 2015 e 2019. Participou também da campanha do ouro olímpico, em Londres 2012. 

Ativista LGBT

Megan Rapinoe admitiu publicamente ser homossexual, em 2012, ao anunciar o namoro com a jogadora australiana Sarah Walsh. Rapinoe e Walsh terminaram em 2013. Em um evento do patrocinador da delegação dos Estados Unidos para a Olimpíada do Rio, em 2016, Rapinoe conheceu a atual companheira, Sue Bird, jogadora de basquete e estrela da WNBA, pelo Seattle Storm e seleção nacional. As duas vivem juntas desde o ano passado. 

A estrela do futebol feminino mundial é militante de diversas organizações LGBT, nos Estados Unidos. Em 2013, recebeu um prêmio do Centro de Gays e Lésbicas de Los Angeles por admitir publicamente a orientação sexual como atleta de de alto desempenho. Também é embaixadora da Athlete Ally, entidade que foca na igualdade de acesso aos esportes, independente do gênero ou orientação sexual do atleta. Em 2015, teve seu nome incluído no Hall da Fama nacional de Gays e Lésbica no Esporte. 

Polêmicas com o hino nacional

Megan Rapinoe foi uma das primeiras atletas a demonstrar apoio ao jogador de futebol americano Colin Kaepernick, em 2016, que se recusava a ficar em pé durante a execução do hino americano, em protesto contra a desigualdade racial no país, preferindo ficar sentado ou ajoelhado na lateral do campo. A capitã do time de futebol feminino repetiu o gesto de ajoelhar-se em diversas oportunidades. 

Na ocasião, em entrevista à revista The Players Tribune, explicou a atitude. 

– Eu não passei por excessos cometidos por policiais em razão de racismo ou tive um membro da minha família morto nas ruas, mas eu não posso ficar de braços cruzados enquanto há pessoas neste país que tiveram que lidar com esse tipo de dor. Eu entendo quem pensa que estou desrespeitando a bandeira ajoelhando-me, mas é justamente em razão do meu grande respeito pela bandeira e pela promessa do que ela representa que escolhi demonstrar desta maneira – declarou Rapinoe.

Nos jogos da Copa do Mundo de 2019, a jogadora não cantou o hino, nem colocou a mão sobre o peito. 

Desafeto de Trump
Durante a disputa do torneio na França, a atacante causou irritação no presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A declaração à revista “Eight by Eight”, de que não aceitaria participar de uma visita à Casa Branca, caso conquistasse o título Mundial, por não concordar com as políticas do republicano, fez Trump postar respostas em suas redes sociais. 

– Ela tem de vencer antes de falar. Nós ainda não convidamos Megan ou o time, mas agora vamos convidar. Ganhando ou perdendo. Megan não deveria nunca desrespeitar nosso país, a Casa Branca ou nossa bandeira, especialmente depois de tudo que foi feito por ela e pelo time. Seja orgulhosa da bandeira que defende. Os Estados Unidos estão indo muito bem – escreveu o presidente.

Os Estados Unidos levantaram a taça de campeões do mundo pela quarta vez, no último domingo, com uma vitória por 2 a 0 sobre a Holanda, na decisão. Rapinoe abriu o placar, de pênalti, e pavimentou o caminho para a segunda conquista seguida da equipe. Após o triunfo, Trump parabenizou o time, mas evitou novos atritos com a jogadora.

– Parabéns ao time feminino dos Estados Unidos por vencer a Copa do Mundo. Ótimo jogo. A América está orgulhosa de todas vocês! 

Até o momento, não foi feito nenhum convite oficial para que as campeãs visitem a Casa Branca, em Washington. Donald Trump recuou e não deu certeza se vai convidá-las. 

*Sob a supervisão de Aigor Ojêda. 

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