Dispositivo consegue tirar lixo plástico do oceano pela primeira vez

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Um navio especial projetado para limpar os resíduos plásticos dos oceanos recolheu sua primeira carga na Grande Mancha de Lixo do Pacífico desde que partiu de San Francisco (Estados Unidos) em setembro. O anúncio foi feito ontem (2 de outubro) pelo holandês Boyan Slat, de 25 anos, fundador e diretor da organização The Ocean Cleanup, em entrevista coletiva em Roterdã.

O projeto da The Ocean Cleanup, grupo holandês sem fins lucrativos, envolve um navio de suprimentos rebocando um artefato flutuante de 600 metros de comprimento que cerca o plástico marinho. A meta da organização é limpar em cinco anos metade da Grande Mancha de Lixo do Pacífico. Localizada entre a Califórnia e o Havaí, essa massa de lixo flutuante tem uma área um pouco maior do que a do Pará.

“Hoje anunciamos que nosso sistema de limpeza na Grande Mancha do Pacífico coletou plástico pela primeira vez”, disse Slat na entrevista. “É a primeira vez que alguém recolhe plástico da Grande Mancha do Pacífico, desde redes de pesca de uma tonelada até a faixa de microplásticos. Assim, pensamos que podemos realmente limpar os oceanos.”

Slat teve a ideia há sete anos, quando ainda estava no ensino médio, e desenhou-a em um guardanapo de papel. O conceito usa as correntes oceânicas para o recolhimento do material plástico. Os testes para verificar sua viabilidade foram iniciados no ano passado.

O rapaz holandês é o mais jovem vencedor do prêmio Champion of the Earth, a maior honraria ambiental da ONU. Ele desistiu de seus estudos em engenharia aeronáutica para aplicar-se em seu projeto.

Barreira maior

O navio Maersk Launcher saiu de San Francisco em 9 de setembro para a experiência. O dispositivo, denominado System 001, inclui uma tela cônica de três metros de profundidade abaixo dele, que pega o plástico flutuando logo abaixo da superfície.

O sucesso da iniciativa animou Slat. “Acho que tenho que ser feliz. Hoje é um grande dia”, declarou na entrevista. Ele já antecipou que deseja criar uma barreira em V muito maior, com 100 quilômetros de comprimento, composta por grandes boias de borracha em forma de travesseiro.

O plástico coletado até o momento será levado à costa em dezembro, para reciclagem. A The Ocean Cleanup acredita que pode haver um mercado premium para itens fabricados com plástico recuperado do oceano. “Acho que daqui a alguns anos, quando tivermos uma frota em grande escala, deverá ser possível cobrir o custo operacional da operação de limpeza usando o plástico recolhido”, disse Slat.

Outra medida necessária é ampliar o System 001 e torná-lo mais durável, para que ele possa reter o plástico por até um ano ou por mais tempo antes que a coleta seja necessária.

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