Brasil deve unir pesquisa, desenvolvimento e restauração florestal, diz estudo

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Parque Estadual Carlos Botelho

Um estudo produzido pelo WRI Brasil (Instituto de Recursos para o Mundo), com a participação de vários cientistas, afirma que o Brasil precisa investir em Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) das suas espécies de árvores nativas para alavancar a restauração florestal e conseguir criar um novo modelo de desenvolvimento que proteja as florestas, em especial a Amazônia, além de gerar emprego e renda aos produtores. A análise de custo-benefício aponta que o retorno de investimento em pesquisa pode ser de US$ 2,36 para cada dólar investido em um período de 20 anos.

O estudo do WRI mapeia quais espécies na Amazônia, Mata Atlântica e Cerrado se beneficiariam de pesquisa e como esse foco em ciência pode gerar retorno de investimento para o Brasil, o que é crucial para o país atingir a meta de restaurar 12 milhões de hectares de florestas até 2030. E os resultados são promissores. 

O investimento necessário para que a silvicultura – estudo botânico das espécies, além da identificação, caracterização e prescrição da utilização das madeiras – de árvores nativas decole é relativamente baixo, cerca de 0,04% do investimento total do que é gasto em pesquisa no Brasil.  

“O estudo mostra que há demanda por madeira tropical e que a silvicultura com espécies nativas pode atender essa demanda com lucratividade, impulsionando a restauração. Mas, para isso é necessário investir em P&D para desenvolver essas espécies”, diz Alan Batista, especialista de investimentos do WRI Brasil e um dos autores do estudo.

Proteger as florestas naturais

Além de ser uma atividade com potencial de retorno financeiro, a silvicultura de árvores nativas traz benefícios ambientais claros, que vão desde a restauração de áreas degradas até a captura de carbono da atmosfera nas árvores, ajudando a controlar as mudanças climáticas.

“Plantar árvores em áreas hoje degradas, com o manejo adequado, vai permitir ao produtor rural produzir madeira de alta qualidade e valor econômico ao mesmo tempo que gera serviços ambientais, como proteção do solo e preservação das nascentes”, diz Miguel Calmon, diretor de Florestas do WRI Brasil e um dos autores do estudo.

Segundo o especialista, outra grande vantagem da silvicultura de nativas é a de aliviar a pressão sobre as florestas tropicais. “Ao produzir madeira por meio do plantio de árvores nativas e do manejo florestal, o produtor estará colocando madeira legal e de qualidade no mercado, tirando um dos incentivos para se desmatar florestas naturais”, explica Calmon.

Financiadores para a pesquisa

Como a produção de madeira a partir de espécies nativas plantadas ainda tem dificuldade de competir no mercado, principalmente por conta da competição com a madeira ilegal tirada de florestas primárias, o estudo propõe a criação de uma Plataforma de Pesquisa & Desenvolvimento.

A ideia é que essa plataforma, que está sendo desenvolvida pela Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura e facilitada pelo WRI Brasil, possa captar recursos públicos ou privados, seja de governos, empresas ou doadores, para destiná-los a uma pesquisa ainda em fase pré-competitiva, suprindo lacunas de conhecimento no desenvolvimento das espécies.

O trabalho propõe que esses recursos sejam direcionados para as espécies nativas mais promissoras para a produção de madeira ou produtos não-madeireiros, e identificou 15 espécies da Amazônia e 15 da Mata Atlântica – sendo que algumas delas também ocorrem no Cerrado. São árvores como a araucária ou vinhático, na Mata Atlântica, e o paricá ou andiroba na Amazônia. A pesquisa permitirá desenvolver o conhecimento científico dessas espécies, permitindo uma melhor seleção de mudas e sementes, realizando técnicas de melhoramento genético ou desenvolvendo princípios de manejo ainda inexistentes para essas árvores.

Soluções sustentáveis

O WRI Brasil faz parte do World Resources Institute (WRI), instituição global de pesquisa com atuação em mais de 50 países. O WRI conta com o conhecimento de aproximadamente 700 profissionais em escritórios no Brasil, China, Estados Unidos, Europa, México, Índia, Indonésia e África. Atua no desenvolvimento de estudos e implementação de soluções sustentáveis em clima, florestas e cidades. Alia excelência técnica à articulação política e trabalha em parceria com governos, empresas, academia e sociedade civil.

Fonte: acritica.com

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