Agentes Comunitários e de Combate às Endemias são homenageados

0

04Na última sexta-feira, 4/10, à tarde, na Câmara Municipal de Manaus (CMM), no Santo Antônio, zona Oeste, uma sessão solene homenageou os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e os Agentes de Combate às Endemias (ACEs) lotados nos Distritos de Saúde (Disas) e unidades básicas de saúde da Prefeitura de Manaus. A homenagem foi proposta pelo vereador Raulzinho.

O secretário municipal de Saúde, Marcelo Magaldi, que representou o prefeito Arthur Virgílio Neto na solenidade, falou da importância desses profissionais, responsáveis por fazer chegar à população as ações de prevenção a doenças e também o acompanhamento dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).

“Os Agentes Comunitários de Saúde são o elo entre a comunidade e a equipe técnica, visitando as casas das pessoas assistidas pelas unidades. São de fundamental importância para a promoção da saúde, que é o objetivo do nosso trabalho na Atenção Básica. No caso dos Agentes de Endemias, é o trabalho deles que nos permite reduzir os índices de doenças como dengue, chikungunya, zika e malária. Graças à ação deles Manaus se destaca por não ter, como em outras capitais, problemas como epidemia de dengue porque eles ajudam a combater o mosquito Aedes aegipty”, destacou Magaldi, ao parabenizar as duas categorias.

Com histórias de amor à vida e de solidariedade às pessoas nos bairros e comunidade de Manaus, os ACSs desenvolvem as atividades diárias com base às realidades de cada comunidade, onde a relação de confiança e a efetividade do trabalho são pré-condições para que a prevenção às doenças e a recuperação da saúde possam acontecer.

“É essencial o bom relacionamento com os usuários, é preciso antes de tudo ganhar a confiança deles. As pessoas nos recebem bem, oferecem água, lanches e acima de tudo, atenção. Essa é a forma como eles agradecem e avaliam como positiva a presença de uma ACS inserida na comunidade”, relata a ACS Ivanilde de Andrade, da Unidade Básica de Saúde Rural (UBSR) Ada Viana Rodrigues, do Disa Rural, localizado na BR-174, no ramal ZF-1, responsável pelo atendimento de 104 famílias na área terrestre rural.

Rotina

Nas segundas-feiras, Ivanilde atende os usuários na UBSR marcando consultas, exames, dispensação de medicamentos e auxilia os médicos no que for necessário. E durante a semana realiza visitas, às vezes a pé, nas casas dos moradores dos ramais marcando consultas, atividades de prevenção, educação e saúde.

Graduada em serviço social, com nove anos na profissão, Ivanilde lembra que a UBSR está próxima a uma penitenciária federal. “Por vezes, somos comunicados de que presos fogem, isso nos causa medo, porque as visitas são feitas a pé e é perigoso. Além da ameaça humana, tem a ameaça animal, pois é comum vermos cobras, e até relatos de onças andando pelas matas e ramais”, destacou.

Lotada na UBS-44, a ACS Maria Augusta Soares, que é técnica de enfermagem, conta que tem 20 anos na profissão. Ela destaca que se identifica com a profissão, gosta dos trabalhos externos de visitas nas casas dos moradores. Atuante na Estratégia Saúde da Família (ESF) desenvolve os programas oferecidos pelo Ministério da Saúde, como o de Hipertensão e Diabetes (Hiperdia) e atende, aproximadamente 213 famílias no Disa Oeste.

Com 19 anos como ACS, Eliana Seixa Ramos, lotada na UBS S35, localizada no bairro de Petrópolis, zona Sul, destaca que é feliz porque gosta do que faz. “Devemos tratar as pessoas como gostaríamos de ser tratados”, disse. Ela conta que duas vezes por semana se dedica às demandas internas da UBS S35 como marcação de consultas e dispensação de medicamentos e realiza visitas domiciliares, três vezes por semana, fazendo busca ativa de usuários e orientação sobre prevenção de doenças. A equipe que trabalha é responsável pelo atendimento de aproximadamente 1.200 pessoas.

Eliana não esconde que, quando realiza visitas domiciliares, seu maior temor é ser assaltada. Contudo, destaca como importante o vínculo criado com a comunidade, pois a partir disso, as amizades são feitas. “Gosto de ser útil para a comunidade. As pessoas ficam muito agradecidas pelo serviço que prestamos”, concluiu.

Com 19 anos na profissão e 41 de idade, a ACS Regina Paula, lotada na UBSN 16, no Campo Dourado, Cidade Nova, zona Norte, afirma a evolução no atendimento à população ao longo do tempo. “Quando começaram as ações, eram poucos os programas que oferecíamos. Agora temos vários e uma equipe completa formada por seis ACSs, um médico, um enfermeiro, um dentista, um Assistente de Consultório Dentário (ACD) e dois técnicos em enfermagem”, explica.

Representante do Distrito de Saúde Leste, a ACS Analice dos Santos, lotada na UBSL 122, no Jorge Teixeira, zona Leste, vinculada à UBS Gebes Medeiros, também participa do curso de Atualização do Trabalho.  Ela lembra que, a identificação com as ações da ESF ocorreu desde o início.

“Sempre estivemos no meio das comunidades. Os idosos e as gestantes têm dificuldades de acessar as unidades de saúde pela distância e porque Manaus tem um clima de muito calor. Nosso trabalho responde a essas dificuldades, ajudando as pessoas”, disse ela, ao lado de outras colegas de profissão e da diretora Graça Costa.

Efetivo

Em Manaus, a rede de Saúde da Prefeitura conta com 1.475 profissionais ACSs, segundo dados do SCNES/Datasus. Eles estão inseridos nas equipes da Estratégia Saúde da Família, coordenadas pela Gerência de Estratégia da Saúde da Família, do Departamento de Atenção Primária (DAP), da Semsa, por meio das quais o município promove a assistência às famílias manauaras. A rede de saúde do município de Manaus tem, atualmente, em atividade, lotados nas UBSs cerca de 800 Agentes de Combate às Endemias.

Curso

Iniciado em setembro de 2019, com previsão de conclusão no primeiro trimestre de 2020, o curso de Atualização do Processo de Trabalho do ACS, envolve todos os ACSs lotados nos cinco Disas da Semsa, tendo como objetivo principal manter atualizado o cadastro das famílias e dos indivíduos no sistema de informação no e-SUS. Os dados desse trabalho serão utilizados para análise da situação de saúde no município, considerando as características sociais, econômicas, culturais, demográficas e epidemiológicas do território de atuação das equipes de Saúde da Família.

O curso de qualificação visa a valorização e o aperfeiçoamento profissional dos ACSs, considerados uma das funções-chave para promoção da saúde. A realização desse curso é um trabalho conjunto da Escola de Saúde Pública de Manaus (Esap) e dos Departamentos de Atenção Primária (DAP), Vigilância Ambiental e Epidemiológica (Devae) e Avaliação, Controle e Regulação (Dicar) da Semsa, em parceria com a Fiocruz Amazônia.

— — —

Texto – Wilson Reis e Jean Holanda / Semsa
Fotos – Nathalie Brasil / Semcom

COMENTE ESTE POST...

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui