Fiscalizações também ocorreram em outras três áreas com forte atividade de madeireiras no estado. Mais de 12 mil m³ de madeira irregular foram apreendidos e R$ 44 milhões em multas aplicadas desde o início da Operação Verde Brasil 2.

Cerca de 140 agentes de diversas órgãos estaduais e federais que compõem a Operação Verde Brasil 2 realizam fiscalizações em madeireiras de Buritis (RO), no Vale do Jamari. Desde maio, quando a ação teve início, mais de 12 mil m³ de madeira irregular foram apreendidos e R$ 44 milhões em multas aplicadas.

A Operação Verde Brasil 2 é coordenada pela Vice-Presidência da República, em apoio aos órgãos de controle ambiental e de segurança pública. A ação conjunta foi prorrogada por mais 30 dias e segue até 10 de julho de 2020. O objetivo é combater crimes ambientais como desmatamento e queimadas ilegais nos estados que compõem a Amazônia Legal.

A ação é composta por mais de 30 agências, entre elas as Forças Armadas, Polícia Militar, Polícia Federal, Força Nacional de Segurança Pública e Secretaria de Estado de Desenvolvimento Ambiental (Sedam).

De acordo com o general Luciano Lima, comandante da 17ª Brigada de Infantaria de Selva (17BIS), esta é a quarta grande operação em áreas com concentração de madeireiras. As outras três foram realizadas em Candeias do Jamari, Cujubim e na região da Ponta do Abunã, na fronteira com a Bolívia e divisa com o Acre.

Segundo o comando da Verde Brasil em Rondônia, as ações de fiscalizações ocorrem após o trabalho de inteligência, que inclui análise das informações prestadas pelas madeireiras e imagens de satélite para identificação de áreas desmatadas.

“Agora é feita uma conferência contábil com o que existe no sistema DOF [Documento de Origem Florestal]. Então os nossos técnicos vão bater tudo que tem aqui com o número que tem lá [no sistema] e o que estiver a mais, é madeira ilegal. O sistema tem detalhes técnicos que permitem que essa equipe possa ver exatamente o que tem autorização para estar na madeireira”, explicou o major Glauber Souto, comandante da PM Ambiental.

Em entrevista coletiva nesta terça-feira (16) em uma das madeireiras fiscalizadas em Buritis, o general Lima ressaltou a continuidade da ação mesmo com a pandemia do novo coronavírus e explicou que a operação busca perseguir todo o caminho do crime, desde a extração irregular, que costuma preceder as queimadas.

“Nós não podemos parar no combate ao crimes, temos que estar aqui pra levar segurança à população. Nós temos áreas de Rondônia que o desmatamento parou absolutamente, pela própria presença do estado brasileiro. A grande mensagem é a integração [entre agências] que vem ocorrendo”, disse.

Lima ainda ressaltou que os materiais apreendidos podem ser destinados ao Departamento de Estrada de Rodagens (DER) ou aos municípios para recuperação de pontes, por exemplo.

“A operação tem além do combate ao crime ambiental, o resultado social que é a utilização da madeira ilegal apreendida numa solução melhor para o seu uso. Não deveria ter sido furtada, mas como ela existe, há como destinar a um benefício melhor para a sociedade”, pontuou.

De forma simultânea ao trabalho ostensivo de fiscalização, agentes da Polícia Federal atuam no município com a identificação das redes de extração e comercialização da madeira resultante de desmatamento ilegal.

“A Polícia Federal vem desenvolvendo várias atividades de polícia judiciária, que é o que nos incumbe. Nosso objetivo é identificar os crimes ambientais praticados aqui no Estado de Rondônia e principalmente identificar as grandes organizações criminosas que vem devastando a madeira e os recursos naturais do nosso país. Várias pessoas foram presas ao longo desse período, várias apreensões realizadas, sequestro de bens, muitos processos judiciais em fase de julgamento, e o nosso objetivo é ajudar o desenvolvimento do estado e do Brasil de uma maneira sustentável, de maneira que as pessoas que querem trabalhar, possam exercer suas atividades, mas dentro da legalidade”, afirmou o delegado da PF, José Simões Franco.

“No período em que nós estamos vivendo no Brasil e no mundo, queimadas vão trazer um grande prejuízo à saúde das pessoas porque nós sabemos que todo ano nós temos um enxurrada de pessoas com problemas respiratórios para dentro da rede pública de saúde devido à fumaça. Nós já temos diversos focos de calor sendo identificados pelos nossos sistemas e nós estamos atuando fortemente nessas unidades. Detectadas infrações, multas serão aplicadas e se for o caso os empreendimentos serão embargados”, alertou o chefe da Sedam, Elias Rezende.

Operação Verde Brasil

O presidente Jair Bolsonaro prorrogou até julho o uso de tropas das Forças Armadas para combater focos de incêndio e desmatamento ilegal na chamada Amazônia Legal, que engloba os estados de Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Maranhão.

A determinação se aplica à faixa de fronteira, terras indígenas, unidades federais de conservação ambiental e outras áreas federais nos estados, mas a atuação das tropas também poderá se estender a áreas estaduais se houver pedido dos governos.

O decreto foi publicado na edição extra do “Diário Oficial da União” publicado no final da noite de 10 de junho.

A área desmatada na Amazônia foi de 10.129 km² entre agosto de 2018 e julho de 2019, de acordo com números oficiais do governo federal divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Trata-se de um aumento de 34,4% em relação ao período anterior (agosto de 2017 a julho de 2018), que registrou 7.536 km² de área desmatada.

É a maior área desde 2008, quando o Prodes apontou 12.911 km² desmatados.