O clima era de festa – apesar de ser uma despedida – e foi muito comum ver cenas de abraços e apertos de mão entre amigos de cabelos grisalhos vestidos com camisas pretas com capas de discos clássicos do rock.

E eles ficaram muito mais sorridentes e prontos para cantar os hinos da adolescência pela última vez quando, às 21h10 de sábado (30), o Kiss, fenômeno mundial que faz sucesso desde os 1970, subiu ao palco montado no Allianz Parque para sua última apresentação na capital paulista pela derradeira turnê “End of the Road”

Esse foi o sétimo show na cidade do quarteto, composto por The Starchild (Paul Stanley, guitarra e voz), The Demon (Gene Simmons, baixo e voz), The Spaceman (Tommy Thayer, guitarra) e The Catman (Eric Singer, bateria). O circo psicótico e pirotécnico de entretenimento estava marcado para 2020, mas foi adiado pela pandemia de covid-19.

O roteiro do Kiss é old school e o setlist não está errado. Foram quatro faixas do primeiro disco “Kiss” (1974) e cinco do clássico “Destroyer” (1976), com “Detroit Rock City” na abertura emendada por “Shout It Out Loud”, que fizeram muitos marmanjos marejarem os olhos.

O grupo ainda passou por hits dos anos 1980, como “Heaven’s on Fire”, “Lick it Up”, a balada “Beth” e o hit “I Was Made For Lovin’ You”, talvez a melhor mistura de Disco Music e Hard Rock da história. Tudo isso embalado pelo já conhecido “entretenimento farofa” da banda: balões com o logotipo que caem e chamas que iluminam o palco lançando ondas de calor em direção ao público.

 

Afinal, por que mudar algo que funciona há tanto tempo? E lá vai Gene Simmons, que cospe fogo, sobe em uma plataforma que o eleva até o teto, executando um solo duvidoso de baixo, enquanto o sangue escorre de sua boca. Um roqueiro e circense.

Paul Stanley é capaz de perguntar quantas vezes forem necessárias se estamos nos divertindo. A cada resposta, ele responde que não ouve, e a pergunta novamente é feita até conseguir um grande grito afirmativo.

Thayer, o último Spaceman, veio com um solo memorável em “Cold Gin”, antes de Eric Singer conquistar seu próprio momento de destaque, com um solo de bateria, finalizando elevado na alturas de sua própria plataforma, cercada de fumaça e com a iluminação seguindo o exemplo para um visual inesquecível.

O encerramento não poderia ser diferente: “Rock and Roll All Nite”, a detonação de toda a pirotecnia, explosão de confetes, Simmons, Singer e Thayer elevados nas plataformas e Stanley dando tudo em uma despedida que proclamou “Kiss te ama, São Paulo”, depois de um show com um setlist de 21 músicas em cerca de duas horas brilhantes.

Hoje a banda segue para Ribeirão Preto, interior de São Paulo, levando seu rock and roll a noite toda para a última apresentação no Brasil – isso se, de fato, cumprirem a velha promessa da última turnê.                                                                                                            Fonte: Cleber Machado/ Metro Jornal